De 8 a 13 de julho de 2026, o movimento cultural itinerante Cine Juá chega à cidade de Aguiar, no alto sertão da Paraíba, com uma proposta que vai além da exibição de filmes: ensinar quem assiste a também criar.
A iniciativa é gratuita, oferece bolsa de R$ 300 aos participantes e pode mudar a forma como este sertão conta a própria história.
O que é o Cine Juá?
O Cine Juá é um movimento cultural itinerante que promove o acesso ao cinema e à formação audiovisual no sertão paraibano.
Idealizado por Vanessa Kypá, o Cine Juá nasceu a partir do cineclubismo como ferramenta pedagógica e de manutenção de memória, percorrendo comunidades rurais, aldeias indígenas, quilombos e periferias entre o sertão e o litoral da Paraíba.

O nome já diz muito sobre o projeto. Juá é o nome popular do juazeiro, árvore símbolo da resistência na Caatinga, conhecida por sobreviver à seca e oferecer sombra e fruto onde o sol castiga.
Conheça as edições anteriores
Nas duas edições anteriores, realizadas em 2024 e 2025 com recursos da Lei Paulo Gustavo, o projeto levou sessões gratuitas de cinema a localidades como Baía da Traição, Itaporanga, João Pessoa e comunidades tradicionais.
E isto sempre exibindo produções independentes com protagonismo de pessoas sertanejas, indígenas e negras.
Agora, em uma nova fase financiada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Paraíba (SECULT-PB) e da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo de Aguiar, o Cine Juá dá um passo além: além de exibir, passa a formar o cinema sertanejo.
“O Mundo e o Minuto”: a oficina que cabe no bolso
A oficina que ancora esta edição chama-se “O Mundo e o Minuto” e será ministrada pela cineasta Mila Nascimento.
O título resume a proposta: transformar o cotidiano mais ordinário, um rosto, uma memória, um lugar, em um microdocumentário de até 60 segundos, em cinema.
A ferramenta principal é o celular, dispositivo acessível que a maioria dos participantes já carrega no bolso, mas que raramente é encarado como instrumento de criação artística.
Ao longo de cinco encontros, de 8 a 13 de julho, no Salão da Cultura de Aguiar, das 19h às 21h30, a oficina conduz os participantes por todas as etapas do processo cinematográfico:
- Roteiro: construção de ideias e narrativas a partir de temas do território
- Direção e fotografia: exercícios de olhar, enquadramento e percepção visual
- Som: captação e escuta como elementos da linguagem audiovisual
- Filmagem: saída para captar imagens e histórias reais
- Edição e finalização: montagem coletiva e conclusão dos projetos
- Exibição no dia 18/07: sessão especial do Cine Juá com os filmes produzidos pelos participantes
Além deste movimento cultural, o sertão também recebeu recentemente outros projetos formativos, como o Janela do Sertão.
Como funciona, dia a dia
A estrutura dos cinco encontros percorre um arco completo, do olhar à tela:
- Dia 1: Introdução à linguagem audiovisual, história da imagem e do cinema, e exploração das possibilidades da câmera do celular
- Dia 2: Exercícios de percepção, conceitos do microdocumentário e construção de roteiros
- Dia 3: Saída de campo para captação de imagens e sons
- Dia 4: Continuação das gravações e início da montagem coletiva
- Dia 5: Edição final, conclusão dos projetos e exibição coletiva dos filmes
Quem pode participar
A oficina é aberta a pessoas a partir de 15 anos, com vagas limitadas. Você poderá se inscrever preenchendo o formulário divulgado no Instagram no evento.
As pessoas selecionadas receberão uma bolsa de R$ 300,00, paga ao final da formação, condicionada à participação em todos os encontros.
O que o sertão tem a dizer
A lógica por trás do Cine Juá é ampla:
“Eu nasci no Sertão e sei o quanto muitas histórias ficam guardadas, sem espaço para existir. […] Quando uma pessoa entende que pode criar e narrar sua própria história, ela deixa de ser apenas espectadora e passa a ocupar um lugar de protagonismo”
Declarou Vanessa Kypá, idealizadora do projeto, em material divulgado pela iniciativa.
Ela aponta para um movimento de inversão: em vez de consumir apenas o que vem de fora, comunidades do sertão paraibano são convidadas a ocupar o lugar de quem narra.
A curadoria do projeto reforça essa escolha, priorizando produções com protagonismo nordestino, negro e indígena, para que o público veja na tela pessoas e paisagens com as quais se reconhece.


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