Yasmin Formiga leva ativismo, arte e sementes da Caatinga para Sousa em dois encontros

3–5 minutos

Yasmin Formiga vai a Sousa com uma palestra sobre ativismo e uma oficina para crianças sobre a Caatinga.

Cartaz que promove a palestra de Yasmin Formiga sobre a caatinga e oficina sobre educação ambiental

Crédito da foto: divulgação

A artista e ativista paraibana Yasmin Formiga foi a Sousa no dia 22 com duas atividades que colocam a Caatinga no centro da conversa.

Entre uma palestra sobre ativismo e arte e uma oficina sensorial com crianças, a programação propõe um olhar político e afetivo sobre o bioma mais invisibilizado do Brasil.

A entrada é gratuita e as atividades acontecem em espaços distintos da cidade.

Palestra de manhã: quando a arte vira instrumento de luta

No dia 22 de abril, Yasmin Formiga abre a programação na ECIT Chiquinho Cartaxo, em Sousa.

A palestra “Relação entre ativismo, arte e a luta pela conservação da Caatinga” é parte da programação externa do evento e tem duração de uma hora, com classificação livre.

No encontro, a artista compartilha experiências e reflexões construídas ao longo de sua trajetória como pesquisadora e ativista ambiental.

Yasmin Formiga performando ao jogar água sobre areia, com pedaços de troncos em volta e uma bacia de barro
Créditos: divulgação

Yasmin aborda os desafios enfrentados no cotidiano de quem defende o bioma caatingueiro e aponta a necessidade de ações concretas para frear o desmatamento e preservar sua biodiversidade.

A artista, que mantém uma atuação ativa nas redes sociais, é reconhecida por traduzir em linguagem artística as tensões políticas e territoriais que cercam o semiárido nordestino.

Oficina à tarde: sementes, telas e memórias da Caatinga com crianças

Às 14h do mesmo dia, Yasmin conduz a oficina “Memória da Terra: Redesenhando a Caatinga” na Sala de Oficinas do Banco do Nordeste Cultural, em Sousa.

A atividade é voltada para crianças a partir de 6 anos, com 20 vagas disponíveis, duração de uma hora e classificação livre.

A proposta coloca as crianças em contato direto com elementos orgânicos do bioma, como sementes de mulungu, cascas de umburana e cactáceas.

Oficina de Yasmin Formiga onde entrega uma semente na mão de outra pessoa, com uma garota observando de fundo
Créditos: divulgação

A partir do toque, da observação e da percepção das formas e texturas da vegetação nativa, os participantes são incentivados a desenhar e pintar livremente.

O resultado é uma grande tela coletiva que reúne as memórias e percepções de cada criança sobre o semiárido.

A oficina integra arte e educação ambiental como ferramentas de aprendizagem e pertencimento, com o objetivo de fortalecer o vínculo das crianças com o território desde cedo.

Quem é Yasmin Formiga

Graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba, Yasmin Formiga é natural de Santa Luzia, no sertão paraibano.

Artista visual, educadora, pesquisadora e ativista, ela constrói uma prática que emerge do contato direto com a matéria orgânica da Caatinga.

A partir desse insumo, realiza performances-instalações, obras de land art, objetos de memória, bandeiras e pinturas voltadas à conscientização ambiental.

Yasmin Formiga, uma mulher de cabelos escuros e longos, sentada. Em sua volta, há cactos e um tronco de madeira cortada, representando a caatinga
Créditos: Divulgação

Sua pesquisa mais recente investiga e denuncia as contradições dos projetos de energia renovável, como usinas eólicas e solares, que avançam sobre o sertão nordestino sob o que a artista identifica como formas de neocolonialismo contemporâneo e apropriação territorial.

Ao desmistificar a visão estigmatizada da Caatinga como um lugar inóspito e sem vida, Yasmin propõe diálogos interespécies e práticas de pertencimento que convidam a um olhar mais sensível, político e comprometido com o território.

Uma trajetória de reconhecimento crescente

A trajetória expositiva de Yasmin Formiga é extensa e pontuada por conquistas expressivas:

Caatinga como pauta cultural urgente no sertão

A visita de Yasmin Formiga a Sousa não é um evento isolado: é um sintoma de uma virada na forma como o sertão começa a narrar a si mesmo.

A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro e historicamente tratado como paisagem de ausência, ocupa cada vez mais espaço nas agendas culturais da região.

Levar essa discussão para dentro de uma escola e de um espaço de oficinas é um gesto que posiciona a arte como ferramenta de resistência territorial.

Para as crianças que participarão da oficina, o contato com as sementes do mulungu e as cascas de umburana pode ser o início de uma relação de cuidado com o lugar onde vivem.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Sertão Profundo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading